A obesidade se transformou em um problema de saúde mundial nos últimos anos, por favorecer o aparecimento de diversas doenças – diabetes, hipertensão, apneia do sono, infarto e também o câncer. Além de abrir caminho para esses males, um estudo feito com duas mil mulheres suecas mostrou que o excesso de peso dificulta a identificação de nódulos malignos nas mamas, comprometendo o diagnóstico precoce e a cura.

A pesquisa, capitaneada pelo Instituto Karolinska, uma das principais faculdades de medicina da Suécia, revelou que a descoberta do câncer de mama em mulheres obesas, com Índice de Massa Corporal (IMC) superior a 30, pode ocorrer tardiamente, com o tumor já grande (cerca de 2 centímetro). A densidade mamográfica, de acordo com o estudo, também pode comprometer a identificação de nódulos. O levantamento envolveu mulheres diagnosticadas com câncer de mama no período entre 2001 e 2008 – elas foram acompanhadas até 2015.

Além de mascarar o tumor, a obesidade também é vinculada ao câncer de mama pelo fato de a gordura transformar vários hormônios em estrogênio, cuja concentração contribui para desencadear a doença.

Perder peso é um desafio e para muitas pessoas chega a ser uma missão quase impossível. Estima-se que perto de 30% da população mundial seja obesa ou tenha sobrepeso. No Brasil, a obesidade cresceu 60% entre 2006 e 2016.

De acordo com o INCA (Instituto Nacional de Câncer), na faixa etária entre 50 e 69 anos, a mamografia deve ser realizada uma vez a cada dois anos, incluindo os perfis obesos. A recomendação às mulheres que fazem parte de grupos de risco, principalmente as que têm histórico familiar, é iniciar mais cedo o rastreamento, a partir dos 35 anos.