A relação desenfreada de homens e mulheres com o álcool pode desencadear mais de 200 tipos de doenças, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). A lista inclui o câncer de mama, entre outras variações.

A associação entre o álcool e o câncer já vem sendo estudada há tempos, mas um estudo que acaba de ser divulgado pela revista científica britânica Nature, mostra como o álcool potencializa o aparecimento de tumores. O aprofundamento dos estudos foi possível a partir do detalhamento do metabolismo de cobaias e revelou que o acetaldeído, um subproduto das bebidas alcóolicas, provoca danos definitivos ao DNA de células-tronco no sangue.

Para chegar a esse resultado, entre outros, os pesquisadores aplicaram nos animais doses elevadas de álcool. A experiência mostrou que o acetaldeído fragmenta o DNA das células-troncos, levando os cromossomos a se organizarem aleatoriamente. Essas alterações acabam contribuindo para o desenvolvimento de vários de tipos de tumor, de acordo com o estudo, que também destaca o risco de surgimento de câncer de boca, faringe, fígado, laringe, esôfago e intestino.

Outra pesquisa, desta vez publicada pelo americano Journal of Clinical Oncology no final do ano passado, afirma que mesmo o consumo moderado de álcool (uma lata de cerveja diária, por exemplo, no caso das mulheres) eleva o risco de aparecimento de câncer de mama.

Números indicam que, moderada ou não, a ingestão de álcool no Brasil cresce em ritmo acelerado. Em uma década, o consumo per capital aumentou 43,5%. Em 2006, o brasileiro bebia 6,2 litros ao ano. Já em 2016, o número alcançou 8,9 litros, de acordo com a OMS, com crescimento maior entre as mulheres. Nossa performance superou a média mundial (6,4 litros) no mesmo período, posição que em nada nos beneficia.